Psicanálise também é para elaborar lutos. Viver é um luto. Todo dia perdemos algo: um emprego, um amor, uma esperança, a juventude, um dia de vida…
Um luto não te prepara para o próximo. Não existe isso de “ah, eu já aprendi a perder. Estou acostumada”. Que nada! É sempre amargo! E cada luto é único.
Luto é um dispositivo genérico de subjetivação. Constituinte, ouso dizer! Guimarães Rosa já dizia que a vida é um eterno “rasgar-se e remendar-se” não é mesmo?
A vida é viva. Não existe controle sobre algo que pulsa sozinho.
Viver é igual amar, uma grande aposta no escuro. Ganha-se algumas, perdem-se outras mais. Ufa! Movimento!
É, vamos seguindo.
Você pode se perguntar: “Mas falar vai adiantar?”
Eu costumo dizer que não sei, mas experimente se ouvir falando em voz alta coisas que jamais pensou que estava pensando! “Eu disse isso??”
Sim, você disse, você sonhou.
Tá, mas qual o sentido disso tudo? Ser feliz?
Veja, não sou defensora de uma vida feliz, até porque o conceito de felicidade é algo muito distante.
Penso que seja melhor viver uma vida interessante, e uma vida interessante é uma vida com muitas experiências.
Falando em felicidade, Aristóteles a chamava de “eudaimonia”, que, de um modo bem (bem mesmo) resumido, indica que a felicidade não é um estado passageiro, mas um processo contínuo que a pessoa desenvolve ao longo da vida. Ou seja, não tem nada a ver com aquele prazer imediato que sentimos ao conquistar algo. É algo maior. Uma grande Odisseia de Homero! Muitas batalhas, mas com direito a invocação de musas.
Segunda a mitologia grega, existem 9 musas.
A análise é décima. Uma experiência interessantíssima de se viver!
E de viver com interesse. Vem, vambora.
Abçs

